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Páscoa: a maior prova de amor

  • 17 de mar.
  • 3 min de leitura

O evangelho de Marcos é escrito num ritmo rápido, relatando acontecimentos numa sucessão muito veloz. Os termos  “logo” e “imediatamente” são usados com frequência, mostrando o ritmo da narrativa.


Quem vai remover a pedra?

O texto narra os acontecimentos logo após a ressurreição, começando com o relato do Domingo da Ressurreição e finalizando com a Grande Comissão.


O texto inicia com as mulheres a caminho da sepultura do Mestre e discutindo acerca do grande problema que teriam de resolver para poder embalsamá-Lo: Quem vai remover a pedra? Ao chegarem à sepultura, Marcos diz que elas foram surpreendidas, pois a pedra já tinha sido removida, e o Evangelista ainda faz questão de frisar que ela era muito grande.


Para tirar a pedra da Sua sepultura, Jesus não teve trabalho, conquanto houvesse um selo romano sobre ela, soldados de vigilância, e ela fosse grande, a pedra não ofereceu nenhuma resistência ou empecilho à ressurreição.


Mas intencionalmente, continua a narrativa mostrando que havia algumas “pedras” que dariam muito trabalho ao Mestre para serem removidas: o coração de “pedra” dos discípulos. Perceba como Marcos mostra todo o trabalho do Mestre em remover a dureza do coração dos discípulos:


Cristo não desiste dos seus...Ele tratou de esmiuçar a pedra do coração dos discípulos. E fez isso com muita generosidade e paciência.

Jesus enviou Maria Madalena para comunicar a ressurreição

No versículo 7, Maria Madalena teve o privilégio de ser a primeira testemunha da ressurreição. Era uma mulher que outrora havia tido uma péssima reputação; mas, mediante o encontro com a graça do Senhor, sua vida foi transformada, e uma nova mulher foi gerada. Ela era conhecida do Senhor e dos discípulos, seria fácil confiar no seu testemunho. Porém, não foi isso que aconteceu; provavelmente prevaleceu a regra social da época, o testemunho de uma mulher não tinha crédito no universo masculino. O texto nos diz que nenhum dos discípulos deu crédito à sua palavra.


Jesus enviou dois discípulos

Nos versículos 12 e 13 não há menção dos seus nomes, mas o que consta é que, mediante a revelação da ressurreição de Cristo, os dois decidem retornar e contar aos discípulos que ainda se encontravam reunidos sobre o fato de que Cristo tinha ressuscitado e que havia aparecido a eles no  caminho para Emaús. Agora Jesus deu aos discípulos a chance de, usando o fator cultural da época, acreditarem na Sua ressurreição. Um testemunho de um homem idôneo, reafirmado por outro, seria tomado por verdade absoluta em qualquer ambiente judeu. O problema era que o coração dos discípulos estava tão duro, que nem assim eles acreditaram.


Depois destas duas tentativas frustradas de fazê-los crer na ressurreição, o texto nos diz que Ele foi pessoalmente lá. O texto é enfático: “por último, então, apareceu aos onze”. O problema é que ainda assim eles deram trabalho para crer. Marcos não conta em seu Evangelho, mas, no Evangelho de João, vemos a dificuldade de Tomé em crer. Para ele, não bastava ver, tinha que tocar nas feridas das mãos do Mestre.


A dificuldade de crer

Porém, não obstante toda essa dureza do coração dos discípulos, vemos a graciosa e insistente misericórdia do Senhor em lidar com suas incredulidades. O Mestre não Se ofendeu, Se entristeceu ou desistiu deles. Qualquer líder teria buscado novas pessoas. Mas Cristo não. Ele não desiste dos Seus. Ele tratou de esmiuçar a pedra do coração dos discípulos. E fez isso com muita generosidade e paciência.


Só depois de todo esse trabalho em levar os discípulos a crerem, é que Marcos narra a “Grande Comissão” (Mateus 28:16-20) onde Jesus comissiona Seus discípulos (e por extensão, todos os cristãos) a irem, fazerem discípulos de todas as nações, batizarem e ensinarem a obedecer Seus mandamentos, prometendo estar com eles até o fim dos tempos. 


E essa é uma grande verdade para nossos dias. Somos chamados a proclamar as boas novas de salvação. O problema é que, como os discípulos, também temos dado muito trabalho ao Senhor para trocar nosso coração de pedra por um coração de carne.


A pergunta que nos cabe é: nosso coração é um coração duro, de pedra?

Em Ezequiel 36:26 lemos: "Também vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne".


Que esse novo coração venha, não apenas na Páscoa, mas todos os dias sobre nossa geração, em nome de Jesus.


Subtenente Osvaldo Nascimento

Salvador/BA


Artigo publicado originalmente na revista RUMO (março/abril 2026)

 
 
 

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